terça-feira, 22 de junho de 2010

Como trabalhar o assunto copa do mundo

A copa do mundo (também) é nossa!

Não adianta fugir, ser brasileiro em ano de copa do mundo implica em suspender parte da vida prática para acompanhar os jogos; e não basta ficar ciente dos placares, é necessário saber discorrer acerca do tema, pois durante um mês, ao menos quarenta por cento de todos os papos jogados fora no trabalho, no ponto de ônibus e em qualquer outro tipo de reunião social girarão em torno do mundial.

Mas como por aqui tudo pode ser motivo para ler, decidimos escalar uma seleção de craques diferente, e escolhemos entre as dezenas de livros sobre futebol expostas nas seções de destaque das livrarias alguns que julgamos mais interessantes para recomendar aos alunos e professores.

"A tarde de olhos radiosos se fez mais clara para contemplar aquele combate, enquanto os agudos gritos e imprecações em redor animavam os contedores (...). O divino Baltasar a quem Zeus infundiu sua energia e destreza arremete com a submissa pelota e vai plantá-la, qual pomba mansa, entre os pés do siderado carbanjal (...)". A narração épica de uma partida de futebol é feita por ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade. "Quando é dia de futebol" (Editora Record) é uma reunião de crônicas, poemas e ensaios do autor sobre o esporte. O futebol é apropriado crítica e poeticamente pelos deliciosos textos de Drummond, que investiga seu fenomenal alcance na população brasileira sob uma perspectiva política e que, contrariando o distanciamento objetivo que os textos analíticos pressupõem, não esconde a paixão do autor pelo tema (e pelo Vasco, como sempre deixou bem claro). O simpático prefácio de Pelé ilustra muito bem esse enriquecedor casamento proposto por Drummond entre o futebol e a literatura, mostrando que quando o artista das mãos escreve sobre a arte dos pés, desdobra-se em um assunto tão remoído e corriqueiro a possibilidade de surpreender novamente.

Continuando com os escritos de grandes autores sobre a paixão nacional, "Donos da bola" (Editora Língua Geral) é uma coletânea que reúne um time de mestres como Clarice Lispector, Chico Buarque, Nelson Motta, Jorge Ben e Vinicius de Moraes. Crônicas, contos, letras de música e poesia são os gêneros utilizados pelos autores para expressar os diversos olhares possíveis sobre o esporte, produzindo no leitor uma compreensão mais abrangente sobre a complexidade do fenômeno.

Para os que gostam de biografias, saiu pela Panda Books o livro "Charles Miller- O pai do futebol brasileiro" a respeito da vida do homem que trouxe o futebol para o Brasil (e que apesar do nome e da ascendência, também era brasileiro). Contada pelo historiador John Mills, a narrativa traz fotos, documentos inéditos e relatos até então desconhecidos, importantes não apenas para conhecer a história do jogador pioneiro, como para entendermos as circunstâncias e o contexto brasileiro que possibilitaram o futebol a se tornar o que é hoje.

"As melhores seleções brasileiras de todos os tempos" (Contexto) é uma detalhada descrição técnica e histórica daquelas que Milton Leite, o famoso narrador do Sportv, julga serem as melhores seleções que já vestiram a camisa amarela. As seis equipes escolhidas pelo autor trazem perfis de todos os jogadores, estratégias táticas, fotos e curiosidades. É bastante interessante para aqueles que desejam ampliar o repertório futebolístico histórico.

Quem buscar uma análise aprofundada do papel do futebol na formação da identidade brasileira não pode deixar de ler "Veneno Remédio" (Cia. Das Letras) de José Miguel Wisnik. Em certo trecho, o autor define o futebol como "o nó cego em que a cultura e a sociedade se expõem no seu ponto ao mesmo tempo mais visível e invisível". Não é difícil perceber que a densidade da abordagem (sócio-histórico-econômico-ideológico-político-cultural, para tentar dar a dimensão analítica do texto) de Wisnik foge ao senso comum e questiona com muita propriedade as contradições e o lugar desse esporte no cenário nacional.

É claro que a literatura infanto-juvenil não fica de fora. Luís Fernando Veríssimo acaba de lançar "O cachorro que jogava na ponta esquerda", pela Rocco, numa coleção chamada Gol de Letras. O livro traz histórias bem-humoradas de sua infância de jogos no campinho e do cachorro que sempre acompanhava seu time. Pela mesma coleção, saiu também "Júnior - minha paixão pelo futebol", livro autobiográfico do ídolo flamenguista que conta, numa escrita leve e agradável, sua trajetória desde a infância até o seu encontro com o futebol profissional.

Por último vale falar dos novos trabalhos de Ziraldo. A coleção "Maiores Clubes" lançada pela Editora Globo traz as histórias e curiosidades de quatro dos principais times brasileiros em quadrinhos. O nono, vovô italiano, é o narrador das primeiras histórias de "Verdão - o campeão do século", sobre o Palmeiras. O Corinthians é paixão de Mosquetinho e toda sua família, esse tendo também um avô que lhe conta sobre os títulos, símbolos no "Todo-poderoso timão". Os cariocas Vasco e o Flamengo são descritos em "Vascão - o gigante da colina" e "O mais querido do Brasil".

As dicas estão dadas, agora que tal aproveitar a copa para estimular seus alunos a ampliarem o repertório literário com um assunto que tanto interessa e faz parte da vida de todos?

Nenhum comentário:

Postar um comentário