quinta-feira, 29 de julho de 2010

O que está em jogo quando avaliamos os textos dos alunos?

Tudo começa antes de ler, no momento em que tocamos os textos. Há um ritual em tudo isso. Nossas mãos podem se mover com delicadeza afetiva, quando reencontram um conhecido querido, ou com curiosidade ávida, quando se deparam com quem ainda não foram apresentadas.
Em ambos os casos, o que está em jogo é o respeito pela autoria, o reconhecimento do lugar do autor que, por definição, é “aquele de que alguém ou algo nasce”.2 Quem escreve sabe o quanto é difícil parir um texto. Neste sentido, dou as mãos ao jornalista Armando Nogueira que disse certa vez: “Eu não gosto de escrever, gosto de ter escrito”3.
Pois bem, não basta engravidar de palavras, é preciso saber costurar, bordar, cortar, embalar, acarinhar. Tanto é que são comuns partos prematuros e até abortos. A escritora Lygia Fagundes Telles conta seu processo: “Ler, ler, ler. Escrever, escrever, escrever e rasgar muito. Eu rasguei muito”4.
Se assim é com escritores profissionais, o que dizer os autores em formação, ou seja, dos alunos? Em primeiro lugar, que são autores! E mesmo se parirem algo aparentemente sem vida, é importante nunca perdermos de vista que “as cinzas guardam as últimas confidências do fogo”5.
Mas o que será que decide se há ou não vida pulsando em um texto? O tempo, os prêmios literários, as editoras, os leitores, os críticos, a propaganda, a qualidade do texto em si, a fama do escritor?
Não sei responder como se dá no mundo, mas no caso da Olimpíada, toda uma engenharia foi pensada para cercar cuidadosamente a questão. Essa engenharia se sustenta em critérios de avaliação comuns a todas as instâncias avaliadoras.
Mãos que tocam os textos

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