quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Textos da Categoria-Memórias- OLP 2010

ESCOLA: Instituto São José
Aluna: Antônia Bruna Derze do Nascimento
Categoria: Memória

LEMBRANÇAS QUE O TEMPO NÃO APAGOU

Era uma tarde fria do mês de agosto, no ano de 1960, olhei da minha casa para toda a cidade, com olhar fixo no horizonte e minhas lembranças foram aflorando.
Assim como eu, a cidade era bem rústica. Não tinha asfalto nem calçada. Era bem pequena, com apenas duas ruas em barro e no meio uma trilha por onde as pessoas caminhavam. As árvores eram altas, verdes e balançavam ao sabor do vento. Ainda sinto o cheiro molhado do capim e as risadas das crianças brincando de cabra-cega.
O povo era feliz, mesmo sem as tecnologias de agora. Não tinha eletrodomésticos e nem fogão a gás. Utilizava-se fogão à lenha, mesmo com toda aquela fumaça, a comida era saborosa e apetitosa. A roupa era engomada com ferro de brasa e goma. Era muito pesado e muitas vezes esquentava tanto que chegava a queimar algumas peças de roupas.
Nesta época, tínhamos energia elétrica, mas não o tempo todo. Funcionava das 18 às 20 horas. Neste horário, a luz começava a piscar para avisar aos menores e senhoras casadas, que a luz iria apagar e que era hora de se recolher. Se algum menor fosse encontrado perambulando pela rua às 22 horas, ia preso. E a Mulher casada era “fichada” como solteira. Lembro-me que as mulheres solteiras não podiam freqüentar festas e lugares públicos durante o dia. Só era permitido à saída delas após as “mulheres sérias” se recolherem. O local onde elas residiam se chamava Ponte da Anhinga, que era um local cheio de mato e valas. Andava-se por cima de trapiches.
Para a diversão, havia apenas o Teatro Municipal José Potiguara, local onde aconteciam festas para a sociedade. Freqüentavam apenas mulheres casadas com seus maridos e moças. As que residiam na Ponte da anhinga eram proibidas de freqüentar. Mulheres solteiras como eram chamadas, sofriam preconceito de toda a sociedade.
Para nossa locomoção, os meios de transportes utilizados eram as carroças - movidas a animais, navios, canoas e chatas – tipo de barco que transportava borracha.
Relembro que nossa cidade não tinha fazendeiros e a carne era bem escassa. Por isso, saíamos 1 hora da manhã e íamos para o Mercado Municipal esperar a hora de abrir para poder conseguir um quilo de carne. A fila era imensa e muitos voltavam tristes, pois não conseguiam comprar. Hoje, é bem diferente. Existem aproximadamente 45 açougues e se compra a carne que se deseja. Tudo está mudado e diferente. Eu cresci e a cidade também. Está bonita, próspera, com hotéis, ruas asfaltadas, escolas adequadas e em desenvolvimento.
Estou com 62 anos e sempre reviverei em minhas palavras e pensamentos a cidade que tanto amo. Tarauacá, Cidade conhecida como Rio dos Paus e das Tronqueiras, cidade da mulher bonita, do abacaxi grande e do povo hospitaleiro.
Essa terra bonita e feliz, cheia de encantos serão sempre as lembranças que o tempo não apagou e nunca apagará.
Texto escrito com base na entrevista realizada com a senhora Carmelita Gomes da Rocha Derze- 62 anos, moradora da cidade de Tarauacá-Acre.

ESCOLA: José Augusto de Araújo
Aluna: Miliane da Silva Cândido
Categoria: Memória

RETRATO DE UMA CIDADEZINHA QUE NÃO É “QUALQUER”

Um lugar, na Região Norte do Estado do Acre, antes Vila Seabra, mais tarde Tarauacá, palavra de origem indígena, que significa Rio dos Paus e das Tronqueiras. Nasci e fui criada na pequena e sossegada cidade de Tarauacá. Lembro-me do primeiro prefeito o Senhor Antônio Virgulino de Alencar, nessa época tudo era calmo, não se ouvia falar em violência, nem mesmo em poluição, os comércios eram simples, mas bem aconchegantes.
Vivi em uma época onde havia poucas casas e muitas árvores, as casas eram simples, construídas de madeira, cobertas de palha ou alumínio e às vezes assoalhadas de paxiúba. As ruas de barro eram a atração da cidade, algumas apenas a trilha.
Na época não tinha carro, eram carroças movidas a bois e cavalos, existia apenas um caminhão, um fusca e algumas bicicletas, os transportes fluviais eram canoas, barcos e outras pequenas embarcações. As escolas eram poucas e longes, o ensino era tradicional, os professores eram muito rigorosos, qualquer erro era castigo na certa, o mais comum, a palmatória, que era o terror. Recordo-me como se fosse hoje, tremia de medo. Lembro-me ainda que poucas crianças tinham o direito de estudar porque as famílias não tinham condições de mantê-las na escola.
Naquele tempo a comida era do meio natural, como tatu, paca, encontrado nos arredores da cidade, estes eram mortos por bestas, armadilhas, arma de fogo; pois para conseguir comprar um quilo de carne de boi, precisava sair de casa de madrugada, e muitas vezes, ainda não conseguia. A vida não era fácil, a comida era feita no fogão a lenha. Naquele tempo a iluminação ficava por conta da lamparina que deixava as paredes da casa preta, entirnadas. Com o tempo surgiu o lampião, mais moderno e muito mais econômico.
Lembro-me das roupas que eram usadas, principalmente das peças íntimas, uma delas uso até hoje a n’agua, as demais eram feitas nas costureiras, eram engomadas com um ferro muito pesado, tinha que colocar brasa acesa para esquentar.
Recordo-me que havia uma praça onde encontrava a garotada, lá brincavam a vontade, os meninos soltavam pepeta, as meninas pulavam elástico, esconde-esconde, dentre outras. Hoje, a cidade cresceu, a vida já não é mais sossegada, a poluição sonora tomou de conta, não se brinca mais como antigamente, apesar de sermos ainda uma comunidade pequena, no entanto estou certa que a tranqüilidade foi embora, as lembranças ficaram para sempre, um dia eu termino de contar, pois ainda vivo neste lugar.
Memória baseada nas lembranças da Senhora Albertina Emilia da Silva de 83 anos.

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