domingo, 20 de maio de 2018

Aluno da sala de AEE do Colégio Militar Dom Pedro II (Foto: Eduardo Gomes)
João Vitor Almeida tem 11 anos, é morador do loteamento Santo Afonso e percorre o caminho de casa para a escola sozinho, desde que recebeu um novo vizinho, o Colégio Militar Dom Pedro II, gerido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC). Diagnosticado com mielomeningocele, hidrocefalia e pé torto congênito, sonha em se tornar bombeiro militar e conta com a ajuda de uma cadeira de rodas para auxiliar em seu deslocamento e tarefas diárias.

Sua mãe, a dona de casa Maria Erlande, não escondeu a emoção durante o primeiro dia de aula do filho na sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE) da própria escola, quando o colégio foi oficialmente inaugurado, na última quarta-feira, 16.

“A educação nos dias de hoje é muito importante para as crianças, com ou sem alguma necessidade especial. Não é fácil encontrar pessoas que cuidem tão bem dos nossos filhos e aqui nós encontramos. Vi que ele está se desenvolvendo muito bem com os cuidados e o ensinamento que recebe. Todos os dias ele chega em casa com atividades para fazer, está sempre ocupado com alguma tarefa da escola. Às vezes, alguém do colégio ou da própria Secretaria [de Educação] me liga para saber como ele está em casa. Vejo que a sala de AEE aqui é fundamental, tanto para mim quanto pra ele”, destaca a mãe.

Aluno com deficiência auditiva acompanha as aulas com auxílio de um intérprete (Foto: Eduardo Gomes)
O Dom Pedro II, construído no Acre, é o primeiro colégio militar do país a oferecer à comunidade estudantil uma sala exclusivamente destinada ao atendimento de crianças e adolescentes com necessidades especiais de aprendizagem.

A instalação da sala de AEE no Colégio só foi possível por meio do empenho do governo do Estado e da Secretaria Estadual de Educação e Esporte (SEE), que viabilizaram a assinatura do convênio para a construção dos dois colégios militares do Acre: Tiradentes, gerido pela Polícia Militar, e Dom Pedro II, gerido pelo Corpo de Bombeiros.

A instituição de ensino atende, atualmente, 12 alunos com necessidades especiais, entre surdez, Síndrome de Down, hidrocefalia, etc. Possui, ainda, cinco crianças em fase de observação. Ao todo, são 569 alunos matriculados na escola, destes, apenas 92 são filhos de militares. A coordenadora do colégio, Angélica Batista, considera a oferta do AEE na escola Dom Pedro II um marco na educação militar do estado.
Professora da AEE com alunos e mãe de estudante do Colégio Militar Dom Pedro II (Foto: Eduardo Gomes)
“Esse é o nosso diferencial. Sabemos que é um modelo positivo, oriundo da parceria da SEE com o Corpo de Bombeiros, sendo exemplo a nível nacional. Achamos muito bem vindo inserir essa realidade do ensino especial na educação militar, já que o Acre é referência na educação inclusiva, dentro da nossa realidade”, afirma.

Todos os alunos de AEE são amparados por um cuidador especializado, como Antônio José, que acompanha o processo de ensino-aprendizagem de João Vitor no ambiente escolar. “Falo para ele, todos os dias, que ele é um aluno normal, como qualquer outro e tem todas as condições de seguir uma vida estudantil e profissional brilhante”, conta.

De acordo com a coordenação do Colégio Militar, todos os alunos de AEE, inclusive os que ainda não eram alfabetizados, apresentam significativa melhora no rendimento escolar. “Fazemos o possível para que eles sejam os melhores dentro do que eles podem ser. E notamos que eles se desenvolveram amplamente. Com a introdução das aulas do AEE, nossos alunos estão bem adiantados, se compararmos com a situação em que eles chegaram aqui. Isso para nós é gratificante”.

A introdução da educação inclusiva no âmbito militar garante a oportunidade a alunos com necessidades especiais também seguir uma carreira militar. Emocionado ao relembrar os desafios que já enfrentou para conseguir estudar, o pequeno João Vitor ressaltou sua paixão pelo aprendizado. “Estou achando muito legal estudar aqui, e o que mais gosto é de aprender coisas novas. Vim para aprender e não para ser excluído. Aqui me sinto mais a vontade e mais feliz. Não sinto diferença com os outros colegas e, como quase todos aqui, quero ser Bombeiro quando eu crescer”, assegurou.

secom/Acre

Nenhum comentário:

Postar um comentário